São José do Rio Pardo, domingo, 5 de setembro de 2010
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Simples assim!
..
Bruno Souza (*)
 

 

É muito estranho quando paramos para pensar em nossas vidas, um amigo meu um vez fez essa percepção e chegou a uma conclusão interessante, quando observamos as coisas boas ou ruins que já produzimos essas passam em nossa mente como se fosse um filme, filme esse que não pode ser editado, cortado ou censurado, ele é transmitido da forma como exatamente ocorreu, podemos dizer que é um momento de você com você mesmo.

Ele me disse que o mais notável é que perdemos tempo com essas coisas, seja ele um trabalho remunerado, um trabalho social ou simplesmente o caritativo para uma pessoa. Ele contou que sempre amou o meio ambiente e aprendeu muito em suas labutas como ambientalista, plantou centenas de árvores, perdeu as contas de quantas palestras promoveu, foi convidado especial em inúmeras cerimônias e mesas redondas, todos o cercavam, queriam uma opinião, uma ajuda, uma palestra ou simplesmente um minuto de atenção e com isso ficou conhecido, conquistou a fama, conquistou influências e isso o ajudou a promover vários projetos sociais e ambientais, trabalhou anos no meio social também.

Contou-me, que ama muito esse trabalho e que se sentia muito bem em ver as pessoas se mobilizando e aprendendo a conviver com o meio ambiente e isso o impulsionava mais ainda ao trabalho, porém começou a passar menos tempo com a família, ficava dias e horas envolvido com seus trabalhos, passou a ter menos tempo para si próprio e as coisas boas e simples da vida já não eram tão percebidos por ele, coisas ligadas ao seu trabalho mesmo não eram mais notadas, tais como o simples cantar de um pássaro ou o barulho dos sapos ao anoitecer.

Outro lado ruim dessa história toda que ele me falou é o fato de a fama e a influência de ser conhecido o colocar em outro patamar da vida, e mesmo sendo uma pessoa simples, que conversa com todos de modo simples e amigável, em dados momentos tinha que se portar tal qual a função o exigia. E não só isso, o fato de estar acostumado a ser parado por alguém na rua, a ter que dar entrevista, palestra e estar em foco e de tantas outras atribulações nos leva para um mundo de sonhos e perdemos o objetivo principal que é a ideologia.

Ele disse que quando perdeu tudo isso por conta de impropérios da vida, ficou sozinho, as pessoas se afastaram, e lhe restaram apenas seis amigos e três tias, que essas nove pessoas lhe ajudaram muito, mas sua depressão era tão profunda que não queria mais saber de lutar por nada, que se sentia em um labirinto, escuro, sem saída e muito frio. E que mesmo tendo ajudado muitas pessoas com donativos, trabalho social, ou de ter feito muitas coisas pela sua cidade as pessoas o abandonaram e vi que é importante ajudar as pessoas, porém elas nunca vão se lembrar das boas coisas que você fez.

Quando foi para uma cidade ficar uns tempos se recuperando na casa de um amigo, que passou a acordar todas as manhãs com o cantarolar dos pássaros e aquilo lhe trazia um alívio tão profundo que passou a se levantar pela manhã e ia para o jardim rastelar folhas, e que desde a infância não sentia aquela liberdade de sentir o vento bater no rosto e ouvir os pássaros com os primeiros raiares do sol, lembrou-se o porquê era ambientalista, era ambientalista, porque admirava a interação do meio ambiente, onde tudo funciona em harmonia, onde um não abandona o outro por prazeres maiores, mas sim se unem quando precisou ou seguem seu rumo quando chega a hora, onde cada ser por mais simples ou complexo que seja ocupa um lugar de igual importância no equilíbrio do meio e senão o fizer comprometo toda a existência do seu ecossistema ou bioma, e então ele me disse a coisa mais importante que aprendeu, temos sempre que ver as coisas com o coração, ou seja, ver as coisas como elas são em sua forma mais simples e com isso curtir o momento de prazer e alegria, pois, todos somos importantes de alguma forma, e que por isso entendeu como os índios são tão felizes sem ter as coisas como temos, ele vivem a essência da vida, eles vivem o espírito mais puro da vida, sem fama, influência ou glórias, as suas coisas de valor são: o meio ambiente, suas danças, família e crenças e isso que precisamos ter em nossas vidas, essência e mais nada.

 

 

(*)Sugestões, críticas ou idéias.

bruno_souza06@yahoo.com.br