São José do Rio Pardo, quarta-feira, 8 de setembro de 2010
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Ande olhando para o chão
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João Carlos Possendoro
 

                                                                 

        Quem anda a pé e principalmente quem faz caminhada pelas ruas e avenidas em São José, conhece bem o problema. O melhor amigo do homem, nesta hora, vira inimigo. Se há algo que incomoda é limpar tênis ou qualquer tipo de calçado, impregnado de fezes de animais.

        A cidade de São Paulo, como outras capitais do país, possui legislação própria sobre fezes de animais em vias e logradouros públicos.

        A Lei Municipal 13.131, de 18 de maio de 2001, entre outras considerações em seu artigo 16º diz: o condutor de um animal fica obrigado a recolher os dejetos fecais eliminados pelo mesmo em vias e logradouros públicos.

 Parágrafo único. Em caso do não cumprimento no disposto no caput deste artigo, caberá multa de R$ 10,00 (dez reais) ao proprietário do animal.

        Em Curitiba o valor da multa para quem deixa seu animal fazer suas necessidades na rua e não as recolhe, descumprindo a lei, é de 150 reais.

         A Lei é polêmica. Para muitos, o que está em jogo não é o valor da multa que muitas vezes, como na capital paulista, é simbólica. Acham que recolher as fezes é um ato de cidadania e até de saúde pública. Outros acreditam que só a fiscalização e punição (multas pesadas) mais rigorosa para os donos dos animais, minimizariam o problema.

         Em São Paulo pelo menos, a conscientização da necessidade de se recolher às fezes, principalmente dos cachorros, está se tornando realidade. Como se diz popularmente, a lei pegou.  Já se podem observar, não raramente, senhoras e senhores acompanhados de seu cachorrinho de estimação, levando a tiracolo uma sacolinha onde é ou será colocado os dejetos fecais do animal. Os prédios de apartamentos, invariavelmente, possuem em seus saguões de entrada, porta sacolas (sacolas em rolo que são destacadas individualmente) de uso exclusivo de proprietários de gatos e cachorros. 

       No geral, não há como comparar os problemas das grandes cidades com cidades das do porte de São José. Porém, dentro de certa proporcionalidade, vento que venta lá, venta aqui. (Circulação de veículos por exemplo. Estamos próximos de vinte cinco mil veículos a serem licenciados. A cidade não tem ruas para absorver a passagem deles.)

      No caso dos animais que é o assunto tratado aqui, há dois sérios problemas: As fezes dos cachorros nas ruas e praças e o abandono de parte deles em pontos estratégicos da cidade.

      Se algum vereador ou autoridade municipal, de forma oficial, abordou o assunto cachorro, ele não é do conhecimento da maioria da população rio-pardense.

      A estatística fala que o município tem mais de 14 mil cachorros que somados a quantidade de gatos passaria de 15 mil animais. A maioria é bem tratada. Ninguém é obrigado a tê-los em casa. Se os tem é porque gosta.  Neste mundo animal, porém, há uma parcela de rejeitados. Normalmente, o animal é ganho ou adquirido quando muito pequeno. “Uma gracinha diria Hebe Camargo”. Muitos deles são criados em lugares apertados. Ao crescerem perdem um pouco da graça e por algum motivo (latem demais, fazem muita sujeira, ou são violentos) tornam-se inconvenientes.

     Dar ou vender cachorro adulto é difícil. A melhor “alternativa” é abandoná-lo a própria sorte.  Quem gosta de animais e anda a pé pela cidade percebe o problema e até conhece os principais pontos onde os ”indesejáveis” são deixados.  Muitas pessoas, até de outro município, geralmente ao anoitecer, levam os animais até determinado ponto, abrem a porta do carro, o animal desce e o veículo deixa o local rapidamente. Dois dos principais locais de abandono: saída para o Venerando no Vale do Redentor e no Pito Aceso, ao lado do ponto de ônibus e próximo ao local onde o lixo dos moradores do bairro é depositado antes de ser coletado.

       No caso do Pito Aceso a coisa é mais grave. Por ser uma estrada de acesso (entrada e saída da cidade) os veículos passam velozes e atropelam muito destes animais que ficam perdidos na beira do asfalto. Dos que escapam da morte, uns, dependendo da raça e da beleza, são recolhidos por outras pessoas. Dos menos dotados, uma parte perambula pela cidade, alguns poucos são recolhidos.

       Existe na cidade a UNIR uma entidade que busca resolver os problemas, mas com muita dificuldade. Falta Espaço para abrigar os animais. Há também um programa de castração de animais a custo simbólico.

      Cachorro não sabe usar banheiro.  Levar o cachorro à rua foi à forma mais simples que moradores de apartamentos encontraram para resolver o problema. A moda pegou e mesmo quem mora em residência leva seu (seus) cachorro pra rua. Aí, é sujeira de cachorro pra todo lado! Haja preparo físico para desviar dos “montinhos” nas calçadas.

     Até com os cachorros percebesse diferenças sociais. Nos bairros mais elegantes, normalmente na parte da manhã ou final de tarde, cachorros com pedigree, são levados em suas coleiras a “passear” pelas ruas. Nos bairros mais populares, Redentor, Cassucci... , à cachorrada, normalmente tratada como “vira-latas”, têm mais liberdade, vivem soltos. Parece haver nestes animais de estimação uma predisposição, uma espécie de prazer em sujar as calçadas e molhar os postes. E quem paga o pato?  Os transeuntes desavisados que passam por elas.

    Até a presente data, ninguém foi visto passeando com seu cachorro levando uma pequena pá e uma sacolinha para recolher os dejetos fecais do animal.