São José do Rio Pardo, domingo, 5 de setembro de 2010
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O Tirador de Pedidos
..
João Carlos Possendoro
 

                                                                                        

Preâmbulo

 

              “De vez em quando ele se pegava pensativo e se perguntava: quem era e de onde vinha, verdadeiramente, aquela gente? Ali, naquela espécie de antessala, ele seria apenas um elo para prazeres proibidos? Um espectador semioculto e quase mudo, de encontros furtivos. Completamente ignorado. Entravam e saiam como se ele lá não estivesse. Era como se pertencesse ao mobiliário do “apartamento-escritório.” Passados tantos anos, as lembranças se materializavam em sua mente. Deveria guardá-las para si, ou seria interessante passá-las adiante? De tanto se pegar pensando, resolveu exordiar aquele período inusitado de sua juventude.

              Antes, porém, como bom leitor de romances de Agatha Christie, foi rever a “cena do crime”. O visual da pequena rua pouco havia mudado. Apenas o Teatro de Arena - palco de peças memoráveis, principalmente as de cunho político em tempo de ditadura - estava em reforma e um aviso prometia uma reestréia breve.

              Não perguntou nada a ninguém. Apenas observou, parado na calçada do outro lado da rua, como há quarenta anos atrás. Ficou surpreso. O prédio era o mesmo, mas a fachada era outra. Irônico ou não,  funcionava alí um hotel de características modestas, como centenas de outros espalhados pela grande cidade.  Encontros ocultos e de curta permanência seriam perfeitamente cabíveis e encarados com naturalidade.”

Um Ideal

              Carlos, morador na Zona Leste, filho de modestos comerciantes em cuja casa o essencial não faltava. Porém tudo era meio  matemático, contado na ponta do lápis. Como todo menino entre os anos 50 e 60, jogou bolinha de gude e futebol em terrenos baldios ou ruas de terra; soltou e correu atrás de balões; rodou pião e empinou papagaio, entre outras brincadeiras.

              Neste tempo, os estudos para Carlos eram coisa secundária. Às vezes deixava a escola de lado para sair com os amigos. Sua mãe percebendo o que ocorria, alertou-o de forma veemente: “filho, você mais que seus amigos precisará dos estudos se quiser ser alguém algum dia.” A boa mãe sabia e tinha motivos para repreender o filho. Tinha consciência do que estava dizendo.                                       

              Depois do puxão de orelha que levou da mãe, a vida do menino tomou outro rumo. Quando cursava o ginasial entre 64 e 65, Carlos foi aluno do professor Cid Guedes. A escola no bairro do Alto da Mooca era estadual. O professor Cid, titular de matemática em seu colégio no período diurno, era um dos responsáveis pelas aulas de física do período noturno, no Cursinho Anglo, onde, além de dar aulas, era um dos proprietários.

              O professor, de ótimas lembranças, costumava dizer nos intervalos de aulas que, aluno do ensino público que não fizesse curso preparatório teria poucas chances de cursar universidade pública. Mas tinha também consciência das dificuldades de seus alunos em pagarem um cursinho preparatório.

              Era isso mesmo. Três anos depois, ao terminar o colegial, veio-lhe à lembrança o professor Cid e seus comentários. Queria fazer Direito. Mas como? Seus pais não poderiam bancar uma faculdade particular, muito menos um bom cursinho. Tentar a São Francisco, a melhor e única opção da época, estava fora de cogitação. A exigência do inglês ou francês e, principalmente, do latim no vestibular, matava o sonho do rapazinho.

              O jeito era buscar alternativas. Os cursos na área de filosofia eram menos concorridos. Pensou: sociologia, geografia ou história? Trocou idéia com a família sobre a possibilidade de seis meses de cursinho. Não seria nem o “Anglo” do professor Cid, nem o ”Objetivo” do Di Gênio: os preços eram proibitivos.

              O estudante, diante das dificuldades, passou a freqüentar o cursinho preparatório ”Capi” (período noturno) no Anhangabaú, esquina com a Avenida São João. Nesta época a família já havia se mudado para um bairro bem mais distante, prá lá da Penha.

              Para quem vinha do subúrbio, a zona central da cidade era pura novidade.  Novos amigos e com eles outro mundo e outras necessidades.  Havia o cinema, o teatro, a música da Elis, do Jair. A boate Jogral do Luis Carlos Paraná. Shows e festivais pareciam fazer parte do currículo escolar.  

Detalhe: acarretava custo adicional.

              Como, então, alçar voos mais altos sem suporte financeiro? Se a noite era bem ocupada, o dia era livre. Ah, como arranjar o primeiro emprego e se resolver? Comentou as dificuldades com o cunhado surgiu a solução: salário pequeno e serviço leve.

O Contato:

              Um Escritório de Advogados no centro da cidade, próximo a Praça João Mendes. Apresentação rápida e o advogado esclareceu que um  cliente tinha um serviço fácil, com uma única exigência: ser discreto.             

Localização:

              Theodoro Baima, uma pequena rua entre o fim da Avenida Ipiranga e Rua da Consolação. Com a chave na mão, no dia seguinte – pouco antes das oito – lá estava o estudante de cursinho abrindo a porta do escritório no terceiro andar de um prédio de cinco andares. Construção antiga, mas de bom aspecto. A poucos metros ficava o teatro de Arena e, atrás, uma grande construção do que viria a ser um dos primeiros hotéis cinco estrelas da cidade.

O Escritório:

              Na realidade um apartamento no terceiro andar. O interior: uma boa sala, uma cozinha com geladeira, um banheiro e um pequeno corredor com uma porta trancada, atrás da qual havia outras dependências que só seriam conhecidas posteriormente.

O Local de Trabalho:

              Uma sala, uma escrivaninha, um telefone, um bloco grosso e meio amarelado, escrito na parte superior pedido (não havia nenhuma identificação de firma) e uma caneta esferográfica “Bic”.

Orientação:

              Mal havia se instalado, tocou o telefone. A voz identificou-se como Dr. Rangel, um também advogado e proprietário de uma fábrica de sabão. O local seria um escritório de contato para a comercialização de grandes quantidades. Os clientes fariam o pedido, via fone, Carlos anotaria no bloco e, fora do horário do expediente,  passariam para retirá-los. Acrescentou, antes de desligar, que eventualmente poderiam aparecer “visitas” e, se da parte delas houvesse alguma solicitação, esta deveria ser atendida.

              Assim foi o primeiro dia do nosso jovem estudante.  Era início de um mês de julho muito frio. O prédio não tinha portaria. Pedro, um senhor moreno, com uma boa barriga, um bom dia sempre sorrindo, uma espécie de síndico, logo cedo deixava a porta entreaberta.   Nos três primeiros dias Carlos anotou alguns pedidos entre barricas de sabão em pasta de 80 e l00 quilos e fardos de 20 quilos em pedaços. Neste intervalo não apareceu ninguém, nem para pegar as anotações.

              No quarto dia, na parte da manhã, o telefone tocou apenas uma vez, mas quem estava do outro lado, nada falou. Depois do almoço – trazia de casa a comida da mãe, esporadicamente comia lanche nas proximidades - passava das duas, um toque rápido da campainha. Um casal muito bem vestido: ele, um homem roliço nem gordo nem magro, estatura mediana, terno e gravata impecáveis, por volta dos 50 anos. Ela, morena, jovem, 25 se tanto, vestia um conjunto curto que deixava à vista as pernas bonitas. Identificou-se como sendo Dr. Roberto, amigo do Rangel. A acompanhante nada falou. Antes de abrir a porta do corredor e ocupar um dos quartos, disse apenas: seu nome é Carlos, não é? O anotador saiu às cinco e meia, como havia feito nos três dias anteriores. Foi direto para o cursinho, deixando o casal ainda no apartamento-escritório.

              No dia seguinte, logo que chegou, o rapaz verificou que a porta do corredor continuava trancada e suas anotações haviam sido levadas. Os fatos do dia anterior o deixaram intrigado: a voz do homem, apesar do pouco que falou, não lhe soara estranha. As anotações! Quem teria fechado o “escritório”? O Dr. Rangel teria passado depois do expediente ou teria sido Dr. Roberto? Lembrou-se do pequeno molho de chave na mão do homem na tarde anterior.

              Os dias foram passando. A situação não era explícita. Como precisava do emprego, fez de conta que... Foi levando. Os pedidos iam sendo anotados e em todo recomeço de semana não estavam mais no bloco. Carlos sempre gostou de ouvir rádio. Seu gosto musical foi adquirido ouvindo Fausto Canova na Jovem Pan, Walter Pica Pau, Enzo, o da “Vitrola Mágica,” ambos na Bandeirantes. Assim, trouxe de casa um rádio de pilha, presente do pai em um de seus aniversários. Como o serviço era pouco, dividia seu tempo entre apostilas, noticiário esportivo e a música. Aliás, a rádio América ficava nas proximidades, Rua da Consolação. Sempre que podia dava uma espiada em seus programas de auditório.

              As visitas, entre uma a duas por semana, continuavam aparecendo e duravam entre uma e duas horas, saíam sempre antes do rapaz deixar o apartamento. Todos doutores! Dr. Antonio, Dr.Guimarães, Dr. Domingos... A característica era sempre a mesma: tinham a chave de acesso aos quartos. A maioria homens de meia idade, um ou outro na faixa dos 60 anos, sempre de ternos, muito bem vestidos. Elas, todas entre 20 e 25 anos, vestidos justos realçando as formas ou saias curtas acima do joelho e muito perfume agradável, denotando qualidade.  O diálogo era pouco, quase nada. No geral, Dr. Fulano, amigo do Rangel.

              Um detalhe a mais: sempre na manhã seguinte a cada visita, aparecia uma arrumadeira de nome Terezinha, de pouca falar, que também tinha a chave dos quartos e dava uma geral no apartamento. A presença dela é que possibilitou a Carlos conhecer a parte que complementava seu local de trabalho. Atrás da porta sempre fechada, um corredor com dois quartos, sendo um deles maior e com banheiro, uma espécie de suíte.

              O pagamento do primeiro mês, que não havia sido combinado previamente, de um salário mínimo, fora deixado sob o bloco de pedidos. A rotina semanal continuava. Os casais pouco se repetiam, mas quando ocorria, geralmente só o homem era o mesmo, a jovem era outra. Apenas um visitante usou os préstimos do rapaz. O homem que se apresentou como Dr. Pedro entreabriu a porta do corredor apenas de cueca samba canção, com uma nota na mão, comentou que o dia havia sido corrido e solicitou que o rapaz buscasse uma garrafa de água mineral gelada e um maço de cigarros. O cigarro foi comprado. A água saiu da geladeira da cozinha, sempre bem abastecida.

              Uma visita pouco rotineira aconteceu uma única vez. Dois casais chegaram juntos. Eles, mais jovens do que  de costume, entre 40 a 45 anos, vestidos esportivamente. Elas, jovens, dentro do padrão que frequentava o apartamento. Um dos homens trazia numa das mãos uma garrafa embrulhada que pareceu ser uísque. Pediu copos e gelo que foram providenciados na cozinha.  Ficaram por um bom tempo. Apesar da porta fechada, o silêncio não foi a tônica do grupo.

O incidente:

              Dr. Roberto voltou! Princípio de novembro, os vestibulares se aproximavam. Carlos, sentado em sua mesa, treinava um teste simulado de múltipla escolha quando a campainha tocou. Ao abrir a porta, deu com o homem enigmático que tinha ao lado uma mulher entre trinta e trinta e cinco anos, de uma beleza diferente dos padrões do “escritório”, com roupas elegantes, porém, discretas. Ele disse: “Como vai? Tudo bem?” E entrou no quarto, fechando a porta do corredor.

              O tempo passava e tudo parecia tranqüilo. O estudante voltara a atenção para seus testes, já que para ele as “visitas” faziam parte da rotina. Eis que a campainha toca e causa sobressalto no rapaz! Ele abriu a porta, à sua frente uma mulher completamente diferente das freqüentadoras de sempre. Tinha lá seus 50 anos, estatura mediana, formas arredondadas, vestida com simplicidade.  Com gestos eloqüentes, foi logo dizendo: cadê o Rangel? Ele esta aí não está?

              Antes de obter resposta, adentrou ao apartamento. Parecia conhecê-lo. Carlos, meio que atarantado, disse que ali não havia ninguém, que estava sozinho. A mulher, batendo a mão na porta do corredor, ao percebê-la fechada, já irritada e em gritos, perguntou: “Onde está a chave?  Se ele não está aqui, abra a porta.” O rapaz ainda tentou argumentar que não tinha a chave. A mulher cada vez mais nervosa, esmurrava a porta com força e repetidamente. Lá se foram alguns minutos e nada da mulher se acalmar. Muito pelo contrário. O rapaz perdido, sem saber o que fazer, tentava argumentar que estava sozinho e a mulher a esbravejar. Uma situação insustentável havia se formado.

              Aí, a voz soou abafada, mas firme, por trás da porta: “Carlos eu vou abrir, mas você por favor vá embora. Depois a gente se fala.”

              Carlos, mais que depressa, deixou o apartamento. Nem o elevador usou. Desceu meio que correndo, as escadas. Ao chegar à rua andou uns trinta metros, bateu a mão na cintura, ufa!  A chave estava pendurada. Parou, respirou fundo e pensou: O que fazer, como seria o seu amanhã? Resolveu voltar e ficar na espreita. Usando um vão de entrada de um edifício vizinho, no outro lado da rua, ficou a observar a porta de acesso ao seu local de trabalho.

              Passados pouco mais de dez minutos, a acompanhante do Dr. Roberto, demonstrando agitação, cabelos desalinhados, apareceu na entrada, olhou para os dois lados e desceu a rua. Ao passar ao lado do rapaz, fingiu não vê-lo. Mais outros dez minutos, se tanto, um táxi parou na porta do prédio. “A mulher do Dr. Rangel” surgiu apressada, entrou no veículo e foi embora.  O jovem estudante ficou novamente em dúvida: volto ou não volto lá?  Lembrou-se das palavras do homem atrás da porta. O cursinho ficava longe, uma boa caminhada a pé seria um bom antídoto e serviria para uma boa reflexão.

O fim:

              O rapaz não comentou nada nem com os amigos e nem com a família. Pensou com seus botões e resolveu que iria trabalhar normalmente no outro dia. Chegou ao apartamento escritório como de costume. Não deu meia hora o telefone tocou. ”Carlos aqui é o Dr. Rangel, estou sabendo dos fatos de ontem e, infelizmente, vou ter que desativar este local. Ele não serve mais. Você aguarde aí até o meio da tarde que um mensageiro meu irá levar o seu salário e pegar a chave do apartamento.” “Muito obrigado,” e desligou o telefone. 

              Eram l4:30 quando tocou a campainha. Um rapaz moreno, vestindo uma calça preta e camisa azul, cumprimentou-o e disse estar a mando do Dr. Rangel. Entregou ao jovem um envelope lacrado, pegou a chave, fechou o apartamento e os dois se separam no pequeno saguão do prédio. No envelope havia um salário e meio (o meio era a mais) e um bilhete de agradecimento escrito à máquina.

              O estudante avisou os pais que o escritório havia sido fechado sem explicar os motivos. Seu cunhado, bem mais velho que ele, ao saber que não havia mais emprego, não fez nenhum comentário.

              Faltavam poucos dias para o inicio dos vestibulares.  O dinheiro da “indenização trabalhista” serviu para terminar de pagar o cursinho com folga.

              Carlos foi feliz, passou no vestibular. Novas portas, novos relacionamentos e no final do primeiro ano na faculdade, um novo emprego.  No entanto, aquele primeiro e inusitado emprego marcou o jovem e o deixou  cismado por um bom tempo.

Reflexão:

              Não raro, o jovem estudante refletia sobre os cincos meses que passara no apartamento e se perguntava: qual teria sido realmente seu papel? A fábrica de sabão existiria e seu proprietário era a pessoa que afirmava ser? Suas anotações, seus pedidos seriam verdadeiros? Quem seriam aqueles homens e aquelas mulheres?  Respostas não as tinha. Porém, conjecturava.

              Os homens e não foram poucos, se não eram todos doutores como se auto-afirmavam, passavam ao rapaz certa distinção. Eram pessoas de posição na sociedade. Advogados, professores, médicos e até políticos talvez, lá tinham marcado presença. Quanto às mulheres, quase em sua totalidade, eram garotas de programa. Algumas delas pela discrição, pelo pouco falar, bem poderiam ser garotas que se prostituíam para se manter como estudantes em cidade grande. Ao frequentar o meio universitário por um bom tempo, tivera oportunidade de conhecer muitas destas garotas que se prestavam a exercer este duplo papel.

              Evidências, como o incidente envolvendo a mulher, supostamente esposa do homem a quem nunca fora apresentado e outros pequenos indícios lhe davam uma quase certeza: Dr. Rangel e Dr. Roberto eram a mesma pessoa.   Desconfiava também que seu cunhado, que morreria poucos anos depois, era amigo do homem que se dizia proprietário de uma fábrica de sabão.

              E o local, o que seria? Dr.Rangel, um cáften de alto luxo! A fábrica de sabão, Carlos e os pedidos eram apenas fachada para dar credibilidade a um negócio rentável? Ou, seria uma ação entre amigos, tendo um local para encontros furtivos e o papel da fábrica, do apartamento como “escritório” e o funcionário serviriam de disfarce a encobrir o uso do lugar.

              Até por ser jovem e com pouca experiência, as indagações e suspeitas de Carlos careciam de confirmação. A única janela para conhecer a verdade seria o cunhado. Mas este, talvez com medo de se comprometer junto à família, nada falou ao rapaz.

Último ato:

              Um bom tempo depois, Carlos, próximo de terminar a faculdade, trabalhava em uma empresa na Avenida Rebouças. Foi quando, em horário de almoço, voltou mentalmente ao apartamento onde tirara muitos pedidos de sabão.

              Descontraidamente, conversava com colegas de trabalho num dos cruzamentos (Haddoc Lobo x Oscar Freire) mais movimentados dos Jardins.  Eis que sua atenção foi atraída para a porta de badalado restaurante onde um casal muito bem vestido aguardava.

              Num primeiro momento, a cena nada lhe disse. No momento seguinte, lembrou-se do homem parado à porta do “apartamento-escritório” acompanhado de uma bela garota.  Firmou a vista, a elegante acompanhante do homem na calçada do restaurante era mais velha, ambos tinham idades aproximadas. A mulher, a certa distância, denotava uma distinção que nem de longe lembraria uma garota de programa. Estava mais para esposa.

              Enquanto seu pensamento viajava no tempo, o casal entrou em um veículo luxuoso que encostara no meio fio. O motorista vestido a caráter, acelerou rápido aproveitando o farol que acabara de abrir, cruzou a Oscar Freire e seguiu em direção a área residencial dos Jardins.