(ATÉ PRA QUEM NÃO GOSTA)
Todo mundo sabe que fazer lobby em Brasília e coisa corriqueira. Dá mais lobistas nos corredores dos principais órgãos públicos da Capital Federal do que passista em desfile de escola de samba na Sapucaí. Tirando o presidente francês (com bons motivos, até aéreos) não se viu falar de lobistas internacionais circulando por Brasília.
Só no mês de dezembro foram muitos elogios. Primeiro espanhol ‘El Pais’, com texto de Zapatero; dias depois o ‘Le Monde’, jornal francês o elege o ‘Homem do Ano”; cinco dias depois o britânico “Financial Times” o incluiu numa seleta lista de personalidades mundiais. Quando viaja e viaja muito, é recebido, como aconteceu recentemente na Alemanha, com honras nunca antes vistas para um chefe oriundo da América do Sul.
Aí, o ano nem bem começa e os principais jornais brasileiros em edição do dia dois dão destaque a uma reportagem da TV Al Jazira. A Rede de Noticias do Oriente Médio num documentário do seu canal em inglês, chega a afirmar que Lula se tornou porta voz do Terceiro Mundo. A reportagem (via internet) fala da corrupção, da pobreza e da violência urbana, mas reserva ao presidente brasileiro todas as loas.
Para quem não conhece: ‘Al Jazira’ foi fundada na metade da década de 90, por um emir do Catar, com uma filosofia de independência dentro do contexto do mundo árabe. Passou a chamar atenção ao noticiar reações antiamericanas pós o atentado de 11 de setembro. São transmissões sem o ranço das vinculações ocidentais. É a noticia veiculada de outro ângulo - o árabe. A rede, atualmente, tem correspondente em vários lugares do mundo. No Brasil o melhor acesso é a Internet.
Para o presidente os elogios vieram a calhar. Começa, talvez, o ano político mais importante da história do Brasil. A grande pergunta é: o que será do Brasil após Lula? A resposta não é fácil. O sucessor , seja quem for, herdará um grande pepino. Terá que ser igual, ou melhor. Lula na visão daqueles que lhe dão popularidade é camisa dez.
Na era Lula uma conjunção de fatores levou o Brasil a um patamar nunca antes alcançado. Pergunta-se: sua presença foi fundamental?
Viajando pela história presidencial brasileira há muita coisa interessante. O País, enquanto república ou mesmo nas ditaduras, nunca teve um presidente que chegasse perto do que Lula representa. Foram muitos e assumiram o poder de várias formas.
Getulio e Juscelino - Por razões diferentes, talvez tenham sido os mais populares; Jânio com suas singularidades (seu trocadilho sobre sólidos e líquidos ficou famoso) era popular em São Paulo. Faltou-lhe habilidade. Engolido pelo Congresso, renunciou. Os quatro (Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Figueiredo) da Ditadura não serviram nem para dar uma limpada no Congresso Nacional;
Tivemos muitos outros:
01 - Gente que faleceu no exercício da presidência: Moreira Pena (1909) e Getulio (1954);
02 - Gente que faleceu sem ter exercido o mandato: Rodrigues Alves (1918) e Tancredo
Neves (1985);
03 - Vice que assumiu no lugar do Presidente: Floriano Peixoto (91-994), Nilo Peçanha
(09-1910), Delfim Moreira (18-1919), Café filho (54-1955), João Goulart, (61-1964),
Sarney (1985-1989), Itamar Franco (92-1994);
04 – Os depostos: Julio Preste (1930), Goulart (1964), Fernando Collor (1992);
05 - Chefe de Junta Militar: Tasso Fragoso (1930);
06 - Presidente do Supremo Tribunal Federal em exercício da Presidência: José Linhares
(45-1946);
07 - Presidentes da Câmera dos Deputados: Carlos Luz (1955) e Ranieri Mazzilli (1961);
08 - Vice Presidente do Senado Federal em exercício da Presidência: Nereu Ramos
(55-1956)
O boom Brasil, o bem estar brasileiro, não começa exatamente com Lula. O gigante acordou de um sono profundo e saiu andando ao fazer quinhentos anos. Foi entre governo de Itamar Franco e Fernando Henrique. O mundo estava se globalizando, criando novas necessidades. Novos cenários novos artistas; surgem três gigantes: China, Índia e Brasil - os Emergentes. São paises, com grande poder de produção e de consumo de matéria prima.
De repente, a política brasileira também muda. Quem decide na democracia é o “povão”. A massa, cansada das promessas das elites, resolve finalmente, apostar em Lula.
Por que fora do Brasil o nosso presidente vem sendo tão badalado? Por suas origens Lula chama atenção; talvez por isso ou por causa disso ele se considera predestinado; em assim sendo, vestiu a carapuça, não tem papa na língua. Há outro detalhe: faz tempo que a política, independente da corrupção que campeia, está a mingua, não só aqui como lá fora, também.
O presidente americano surgiu como um rio de cachoeira: forte veloz e destemido. Terminou seu primeiro ano como um rio de meandro. Por enquanto a novidade Obama não vingou. O presidente chinês que poderia ser a bola da vez não é concorrente. As características do governo (uma espécie de colegiado) da China não permitem que seu líder vire uma estrela internacional. A China quer vendas, não quer brilho. Na Europa a crise na economia baixou a bola de todo mundo. Sarkozy até tenta, mas para quem já teve Charles de Gaulle, é pouco.
A revista “Veja” em uma de suas edições próxima passada, ao comentar o filme (aliás, não é o sucesso que a cartolagem política, pró Lula, esperava) sobre a vida do presidente, faz uma alerta. A reportagem destaca Luis Inácio como homem inteligente, vencedor. Afirma, no entanto, que seu endeusamento, ainda em vida, é desnecessário. Lula estaria trilhando um caminho muito perigoso.
Explicar Lula é difícil. Saber aonde ele quer chegar e o que ele realmente pensa, então: é dificílimo. Uma coisa porém é certa: o Homem é de uma ambigüidade nunca dantes vista em político de lugar nenhum. Desmente até Camões em os Lusíadas: Está de bem com os fortes e com os fracos, também; Consegue agradar ao mesmo tempo ricos e pobres; é capaz de almoçar com Chavez em Caracas e jantar com lideres capitalistas em Nova Iorque; receber, em curtíssimo prazo, inimigos declarados do Oriente Médio.
Antes de Luis Inácio ”Lula” da Silva, havia a esquerda, havia a direita, havia Marx, havia Adams Smith. Com ele o que há?