”Guerra ao Terror” tem uma história interessante, tanto dentro quanto fora da tela. O filme dirigido por Kathryn Bigelow (“Caçadores de Emoção”) foi lançado, no Brasil, direto em DVD por não acreditarem no potencial do filme. Passou meses esquecido nas prateleiras das locadoras e agora, após vários prêmios e por ser um dos favoritos ao Oscar, desembarca nos cinemas.
Não foi apenas esse erro de distribuição que aconteceu por aqui. A propaganda do filme traz os nomes de Guy Pearce, Ralph Fiennes e David Morse, como se fossem os protagonistas e eles aparecem no filme durante alguns segundos. Outro equívoco: o nome em português, já que o original “The Hurt Locker” (algo como “Ferida Trancada”) dá mais sentido ao que a Diretora pretende contar.
Os três personagens principais são interpretados pelos desconhecidos Jeremy Renner, Anthony Mackie e Brian Geraghty, o que deixa o filme mais “real” já que não vemos os atores e sim os homens de um esquadrão anti-bombas em pleno Iraque, na guerra americana.
O grupo conta os 38 dias restantes para voltar para casa em meio a missões quase suicidas para desarmas bombas armadas pelos insurgentes iraquianos. O suspense é quase insuportável a cada missão. O silêncio proposital na tela e a falta de uma trilha sonora fazem com que ouçamos nossa própria respiração.
Na história, o Sargento William James, um viciado em adrenalina, é o especialista nos desarmes e tem, nos Estados Unidos, mulher e filho esperando sua volta. O final do filme nos dá um sentido diferente para uma guerra totalmente sem sentido.
O trabalho de direção de Kathryn Bigelow é realmente excepcional e o filme já acumula 23 prêmios, inclusive a indicação do Leão de Ouro em Veneza em 2008. Kathryn é ex-mulher de James Cameron e nesta semana derrotou o criador de “Avatar” no prêmio da Associação dos Diretores dos Estados Unidos e esquentou a disputa do Oscar. Desde 1948 ela é a primeira mulher a receber este troféu e apenas seis vezes o vencedor deste prêmio não levou também o Oscar de Direção para casa.
Por outro lado, James Cameron venceu o Globo de Ouro, outro importante termômetro do prêmio máximo.
Quase é uma tarefa injusta colocar na mesma disputa o sonho, a fantasia, a utopia e a beleza de “Avatar” e a realidade, a dor, a crueldade e as feridas de “Guerra ao Terror”, mas assim é o cinema e o Oscar.
Prefiro apostar minhas fichas em James Cameron e seu épico. Se fosse escolher entre duas passagens aéreas, com certeza deixaria Bagdá para outra hora e voava para Pandora o quanto antes.
(*) Diretor Teatral e Publicitário.