A origem do esporte, hoje o mais popular do mundo, é remota. Há registro de jogos com um uma bola na China antiga, muito antes de Cristo; no Japão antigo, a bola era feita com fibras de bambu e o esporte de nome Kemari era praticado por integrantes da corte do Imperador; já na Idade Média era chamado de cálcio na Itália.
É balela que o futebol foi inventado na Inglaterra. Ele foi introduzido (vindo da Itália) lá, por volta do século XVII. O que os ingleses fizeram foi regulamentá-lo. Em 1848, numa conferência em Cambridge, estabeleceu-se o primeiro e único código de regras para o futebol. Em 1871 foi criada a figura do goleiro como o único a poder usar as mãos; em 1875 foi estabelecido o tempo de 90 minutos; em 1891 surgiu o pênalti; só em 1907 é que surgiu a regra do impedimento.
No Brasil o futebol foi trazido por Charles Miller, um jovem paulistano que após estudar na Inglaterra, voltou ao Brasil trazendo na bagagem a bola e as regras do jogo. O primeiro jogo de futebol que se tem registro, aconteceu em 15 de abril de 1.895, entre a Companhia de Gás e a Ferrovia São Paulo Railway. As empresas eram de origem inglesa e os funcionários envolvidos no jogo, também.
Com o futebol aconteceu um fenômeno interessante. Na Inglaterra e no Brasil era praticado lá, pelos filhos dos nobres e aqui, pela elite da época. Ao negro não era permitido participar. Ao se popularizar no Brasil durante a primeira metade do século XX chegou, assim como aconteceu com cantores e músicos, a ser rotulado de “ocupação de vagabundo”. A partir das Copas do Mundo, o marco talvez seja a “Copa de 50”, o esporte passou a ter uma identidade nacional.
Esta identidade não ocorre só no Brasil. É fator constante em qualquer parte do mundo. O que a política não faz o futebol é capaz de fazer. A FIFA tem mais filiado que a própria ONU.
Na recém terminada Copa da África vencida pelo Egito, a política se misturou com o futebol da pior maneira possível. Todo mundo sabe que os políticos usam o futebol para proveito próprio, assim com os dirigentes do futebol usam os políticos para se promoverem. Existem pessoas que atuam simultaneamente nos dois lado. O mais famoso deles é Silvio Berlusconi, hoje primeiro ministro italiano e dono do Milan de Ronaldinho Gaúcho. No caso da atentado de Cabinda na chegada da delegação de Togo a Angola (sede dos jogos), o uso político ultrapassou e muito o limite do bom senso.
O que um grupo de jogadores e alguns dirigentes de futebol de um dos menores paises africano tem a haver com uma briga interna e separatista. Cabinda, região rica em petróleo, busca, há bom tempo, uma separação de Angola.
Um repórter do canal pago ESPN, ao viajar entre cidades sub sede dos jogos, mostrou em reportagem, a pobreza no interior de Angola. Casas de pau a pique cobertas de sapê e crianças sem ter o que comer.
O Continente africano com uma área total de pouco mais de trinta milhões de quilômetros quadrados, com mais de cinqüenta paises, tendo do Marrocos país mais ao norte até a África do Sul, uma extensão de 8.000 km.; do Senegal no extremo ocidental até a Somália ponto mais oriental, uma extensão de 7.400 km. Com poucas exceções, os paises estão no mínimo, cem anos atrasados se comparados com a maioria dos paises dos outros Continentes. É muita pobreza envolvida em disputas políticas intermináveis.
A África é um exemplo típico onde o futebol tem um papel social muito mais importante que a política. É no futebol afirmam estudiosos das coisas africanas que aquela gente sofrida se identifica. Vítimas de ditaduras, de políticas corruptas e oportunistas, o futebol surge como fator de união fazendo nascer o espírito de nacionalidade e cidadania.
No Brasil, o futebol extrapolou os limites do esporte. Em época de decisões ou em copa do mundo, a rotina dos brasileiros muda. Tudo fica para antes ou para depois, quase nunca no horário dos jogos. Apesar de incidências localizadas, o Brasil já ultrapassou a fase que o futebol era usado como subterfúgio político.
O esporte faz parte do nosso cotidiano. Além da parte profissional o futebol, como lazer, é praticado por todas as camadas e faixas etárias da população em qualquer parte do país. Comparado com outros esportes ele é miscível, ou seja, mistura todo mundo.
Em São José, um município com vocação para o surgimento de bons jogadores profissionais, com muito futebol, tanto na cidade como no meio rural, há exemplos característicos e bem visíveis desta mistura saudável.
Nos sábados à tarde no campo do Botafogo ou nos domingos de manhã no Bonsucesso (só para citar os chamados veteranos), faça chuva ou faça sol, grupos de homens de várias idades e profissões diferentes se reúnem.
Em qualquer dos dois campos de futebol podem ser encontrados: médico, dentista, veterinário, advogado, mecânico, comerciante, sitiante/fazendeiro, vendedor, empresário, funcionário público, motorista profissional e até político. São os Joões, os Josés, os Antonios, os Paulos, os Geraldos, os Roques, os Mários, os Mauros; há também, o Rosa, o Gildo, o Divino; todos com um só objetivo: correr atrás de uma bola de futebol pelo simples prazer de se divertir.
É um compromisso, uma confraternização que ocorre toda semana. Os participantes, se perguntados, dirão sem pestanejar que é uma atividade de lazer prazerosa e indispensável.