São José do Rio Pardo, quarta-feira, 8 de setembro de 2010
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Futebol: o aglutinador
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João Carlos Possendoro
 

 

       A origem do esporte, hoje o mais popular do mundo, é remota. Há registro  de jogos com um uma bola na China antiga, muito antes de Cristo; no Japão antigo, a bola era feita com fibras de bambu  e o esporte  de nome Kemari era praticado por integrantes da corte do Imperador;  já na Idade Média era chamado de cálcio na Itália.

       É balela que o futebol foi inventado na  Inglaterra. Ele foi introduzido (vindo da Itália) lá,  por volta do século XVII. O que os ingleses fizeram foi regulamentá-lo. Em 1848, numa conferência em Cambridge, estabeleceu-se o primeiro e único código de regras para o futebol. Em 1871 foi criada a figura do goleiro como o único a poder usar as mãos; em 1875 foi estabelecido o tempo de 90 minutos; em 1891 surgiu o pênalti;  só em 1907 é que surgiu a regra do impedimento.

       No Brasil o futebol foi trazido por Charles Miller, um jovem paulistano que após estudar na Inglaterra, voltou ao Brasil trazendo na bagagem a bola e as regras do jogo. O primeiro jogo de futebol que se tem registro, aconteceu em 15 de abril de 1.895, entre a Companhia de Gás e a Ferrovia São Paulo Railway. As empresas eram de origem inglesa e os funcionários envolvidos no jogo, também.

     Com o futebol aconteceu um fenômeno interessante. Na Inglaterra e no Brasil era praticado lá, pelos filhos dos nobres  e aqui, pela elite da época. Ao negro  não era permitido participar.  Ao se popularizar no Brasil durante a primeira metade do século XX  chegou, assim como aconteceu com cantores e músicos, a ser rotulado de “ocupação de vagabundo”. A partir das Copas do Mundo, o marco talvez seja a “Copa de  50”, o esporte passou a ter uma identidade nacional.

      Esta identidade não ocorre só no Brasil. É fator constante em qualquer parte do mundo. O que a política não faz o futebol é capaz de fazer. A FIFA tem mais filiado que a própria  ONU.

       Na recém terminada Copa da África vencida pelo Egito, a política se misturou com o futebol da pior maneira possível. Todo mundo sabe que os políticos usam o futebol para proveito próprio, assim com os dirigentes do futebol usam os políticos para se promoverem. Existem pessoas que atuam simultaneamente nos dois lado. O mais famoso deles é Silvio   Berlusconi, hoje primeiro ministro italiano e  dono do Milan de Ronaldinho Gaúcho.  No caso da atentado de Cabinda  na chegada da delegação de Togo a Angola (sede dos jogos), o uso político ultrapassou  e muito o limite do bom senso.

      O que um grupo de jogadores e alguns dirigentes de futebol de um dos menores paises africano  tem a haver com uma briga interna e separatista. Cabinda, região rica em petróleo,  busca, há bom tempo, uma separação de Angola.

      Um repórter do canal pago ESPN, ao viajar entre cidades sub sede dos jogos, mostrou em reportagem, a pobreza no interior de Angola. Casas de pau a pique cobertas de sapê e crianças sem ter o que comer.

      O  Continente africano com  uma área total de pouco mais de trinta milhões de quilômetros quadrados, com mais de cinqüenta paises, tendo  do Marrocos país mais ao norte até a África do Sul, uma extensão de 8.000 km.; do Senegal no extremo ocidental até a  Somália ponto mais oriental, uma extensão de 7.400 km. Com poucas exceções, os paises estão no mínimo, cem anos atrasados se comparados com a maioria dos paises dos outros Continentes. É  muita pobreza envolvida em disputas políticas intermináveis.

      A África é um exemplo típico onde o futebol tem um papel social muito mais importante que a política. É no futebol afirmam estudiosos das coisas africanas que aquela gente sofrida se identifica. Vítimas de ditaduras, de políticas corruptas e oportunistas, o futebol surge como fator de união fazendo nascer o espírito de nacionalidade e cidadania.

       No Brasil, o futebol extrapolou os limites do esporte. Em época de decisões ou  em copa do mundo, a rotina dos brasileiros muda. Tudo fica para antes ou para depois, quase nunca no horário dos jogos. Apesar de incidências localizadas, o Brasil já ultrapassou a fase que o futebol era usado como subterfúgio político.

     O esporte faz parte do nosso cotidiano. Além da parte  profissional  o futebol, como lazer, é praticado por todas as camadas e faixas etárias da população em qualquer parte do país. Comparado com outros esportes ele é miscível, ou seja,  mistura  todo mundo.     

       Em São José,  um município com vocação para o surgimento de bons jogadores profissionais, com muito futebol, tanto na cidade como no meio rural, há exemplos característicos e bem visíveis desta mistura saudável.

       Nos sábados à tarde no campo do Botafogo ou nos domingos de manhã no Bonsucesso (só para citar os chamados veteranos), faça chuva ou faça sol, grupos de homens de várias idades e profissões diferentes se reúnem.

      Em qualquer dos dois campos de futebol podem ser encontrados:  médico, dentista, veterinário, advogado, mecânico, comerciante,  sitiante/fazendeiro, vendedor, empresário, funcionário público, motorista profissional e até político. São os Joões, os Josés, os Antonios, os Paulos, os Geraldos, os Roques, os Mários, os Mauros; há também, o Rosa, o Gildo, o Divino; todos com um só objetivo: correr atrás de uma bola de futebol pelo simples prazer de se divertir.

      É um compromisso, uma confraternização que ocorre toda semana. Os participantes, se perguntados, dirão sem pestanejar que é  uma atividade de lazer prazerosa e indispensável.