São José do Rio Pardo, quarta-feira, 8 de setembro de 2010
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Evo­lu­cio­nis­mo de Eu­cli­des da Cu­nha su­pe­rou po­si­ti­vis­mo, diz brasilianista
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Euler de França Belém - Jornal Opção (recebido por
 
 

O bra­si­lia­nis­ta Fre­de­ric Amory es­cre­ve, no pre­fá­cio da bi­o­gra­fia “Eu­cli­des da Cu­nha: Uma Odis­séia nos Tró­pi­cos” (Ate­liê Edi­to­ri­al, 430 pá­gi­nas): “... não exis­te uma bi­o­gra­fia de Eu­cli­des Ro­dri­gues Pi­men­ta da Cu­nha com­ple­ta e con­fi­á­vel em qua­is­quer lín­guas”. Até on­de li, cer­ca de 100 pá­gi­nas, o tra­ba­lho de Amory é me­ri­tó­rio, tal­vez ex­ces­si­va­men­te aca­dê­mi­co.

No pre­fá­cio, Amory diz que Eu­cli­des es­te­ve sem­pre mais pró­xi­mo, tri­bu­tá­rio mes­mo, do evo­lu­cio­nis­mo spen­ce­ri­a­no do que do po­si­ti­vis­mo de Au­gus­te Com­te. “Co­mo ain­da na ju­ven­tu­de apren­deu com Ben­ja­min Cons­tant e ou­tros mes­tres de mes­mo pon­to de vis­ta o pro­gra­ma do po­si­ti­vis­mo, ad­mi­te-se co­mu­men­te no Bra­sil que Eu­cli­des foi to­da a vi­da um po­si­ti­vis­ta, com ba­se no di­to po­pu­lar de que uma vez po­si­ti­vis­ta sem­pre se­rá po­si­ti­vis­ta. (...) Na ver­da­de, não há pro­vas, ao lon­go de to­da a vi­da de Eu­cli­des, de que ele o te­nha ado­ta­do; pe­lo con­trá­rio, há pro­vas um tan­to di­re­tas de que te­nha si­do ad­ver­so a es­sa dou­tri­na. (...)... che­ga­ra a ad­mi­rar Au­gus­te Com­te por sua ‘ma­te­má­ti­ca’, mas, em ou­tros as­pec­tos, o fun­da­dor do mo­vi­men­to o abor­re­cia, e, a par­tir de 1892, co­me­ça­ra a dis­tan­ci­ar-se da ‘mi­no­ri­da­de’ re­li­gi­o­sa da sei­ta bra­si­lei­ra. (...)... re­nun­ci­a­ra en­fa­ti­ca­men­te a qual­quer le­al­da­de ao po­si­ti­vis­mo bra­si­lei­ro em fa­vor do evo­lu­cio­nis­mo spen­ce­ri­a­no.”

O pai de Eu­cli­des, Ma­nu­el Ro­dri­gues Pi­men­ta da Cu­nha, era po­e­ta. Amory vê sua ele­gia pe­la mor­te de Cas­tro Al­ves co­mo “co­mo­ve­do­ra”: “Águia — um dia ar­ro­ja­da lá da al­tu­ra,/Viu o mun­do atra­vés da né­voa es­cu­ra,/Da ne­gra cer­ra­ção./Vol­te­jou, por ins­tan­tes, so­bre a ter­ra,/So­prou-lhe o ven­da­val, que a mor­te en­cer­ra,/Per­deu-se no vul­cão!”