O brasilianista Frederic Amory escreve, no prefácio da biografia “Euclides da Cunha: Uma Odisséia nos Trópicos” (Ateliê Editorial, 430 páginas): “... não existe uma biografia de Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha completa e confiável em quaisquer línguas”. Até onde li, cerca de 100 páginas, o trabalho de Amory é meritório, talvez excessivamente acadêmico.
No prefácio, Amory diz que Euclides esteve sempre mais próximo, tributário mesmo, do evolucionismo spenceriano do que do positivismo de Auguste Comte. “Como ainda na juventude aprendeu com Benjamin Constant e outros mestres de mesmo ponto de vista o programa do positivismo, admite-se comumente no Brasil que Euclides foi toda a vida um positivista, com base no dito popular de que uma vez positivista sempre será positivista. (...) Na verdade, não há provas, ao longo de toda a vida de Euclides, de que ele o tenha adotado; pelo contrário, há provas um tanto diretas de que tenha sido adverso a essa doutrina. (...)... chegara a admirar Auguste Comte por sua ‘matemática’, mas, em outros aspectos, o fundador do movimento o aborrecia, e, a partir de 1892, começara a distanciar-se da ‘minoridade’ religiosa da seita brasileira. (...)... renunciara enfaticamente a qualquer lealdade ao positivismo brasileiro em favor do evolucionismo spenceriano.”
O pai de Euclides, Manuel Rodrigues Pimenta da Cunha, era poeta. Amory vê sua elegia pela morte de Castro Alves como “comovedora”: “Águia — um dia arrojada lá da altura,/Viu o mundo através da névoa escura,/Da negra cerração./Voltejou, por instantes, sobre a terra,/Soprou-lhe o vendaval, que a morte encerra,/Perdeu-se no vulcão!”