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Interfaces da Internet na Escola
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Roque Lúcio (*)
 

 

 

A interconexão mundial de computadores ( world wide web)  exige um novo ambiente comunicacional-cultural denominado Cibercultura.

A Cibercultura  trouxe novas exigências para a escola, tendo em vista a forte expansão no início do século XXI da rede mundial de computadores. Esta expansão criou formas diferentes de sociabilidade, de organização, de informação, de conhecimento e de educação.

A educação do cidadão não pode ignorar este novo contexto socioeconomico-tecnológico cuja principal característica está centrada na informação digitalizada como nova infra-estrutura básica, como novo modo de produção.

A escola que não inclui a Internet na educação das novas gerações está produzindo exclusão social ou exclusão da Cibercultura.

Na Cibercultura, a lógica comunicacional supõe rede hipertextual, multiplicidade, interatividade, imaterialidade, virtualidade, tempo real, multissensorialidade  e multidirecionalidade (LEMOS, 2002;LEVY,1999).

A contribuição da educação para inclusão do aprendiz na cibercultura exige um aprendizado prévio por parte do professor. Uma vez que não basta convidar o aluno a um sitio para promover inclusão na Cibercultura, ele precisará se dar conta de pelo menos quatro exigências da cibercultura oportunamente favoráveis à educação (SILVA, 2005). A primeira exigência é a de que transitamos da mídia clássica para a mídia on-line; a segunda exigência é a do hipertexto próprio da tecnologia digital (do texto com links que nos remetem a outros textos); a terceira exigência é a da interatividade como mudança fundamental do esquema clássico de comunicação e a quarta exigência é a de que pode potencializar a comunicação e a aprendizagem  utilizando interfaces da Internet.

Neste último aspecto o professor precisará distinguir “ferramenta” de “interface”. Ferramenta é o utensílio do trabalhador e do artista  empregado nas artes e nos ofícios. A ferramenta realiza a extensão do músculo e da habilidade humanos na fabricação, na arte. Interface é um termo que  na Informática e na Cibercultura ganha o sentido de dispositivo  para encontro de duas ou mais faces em atitude comunicacional, dialógica ou polifônica. A ferramenta opera com o objeto material e a interface é um objeto virtual. A ferramenta está para a sociedade industrial como instrumento de fabricação, de manufatura. A interface está para cibercultura como espaço on-line de encontro e de comunicação entre duas ou mais faces. É mais do que um mediador de interação ou  tradutor de sensibilidades entre as faces. Isso sim seria ferramenta; termo inadequado para exprimir o sentido de “ambiente”, de “espaço” no ciberespaço ou “universo paralelo de zeros e uns” (JOHNSON, 2001, p. 19)

Conforme Silva (2005) a Internet comporta diversas interfaces. Cada interface reúne um conjunto de elementos de hardware e software destinados a possibilitar aos internautas  trocas, intervenções, agregações, associações e significações como autoria e co-autoria. Pode integrar várias linguagens ( sons, textos, fotografia, vídeo) na tela do computador. A partir de ícones e botões, acionados por cliques do mouse ou de combinação de teclas, janelas de comunicação se abrem possibilitando interatividade usuário-tecnologia-tecnologia-usuário, seja na dimensão de “um-um”, de “um-todos”, seja no universo de “todos-todos”.

Entre as interfaces  on-line mais conhecidas  temos :chat, fórum, lista, blog, site e LMS ou AVA (ambientes virtuais de aprendizagem). Como ambientes ou espaços de encontro, promovem a criação de comunidades virtuais de aprendizagem. O professor pode lançar mão dessas interfaces para a co-criação da comunicação e da aprendizagem em sala de aula presencial e on-line. Dedicaremos outro artigo para discutir a utilização destas interfaces como facilitadores da integração, sentimento de pertença, trocas, crítica e autocrítica, discussões temáticas, elaboração, colaboração, exploração, experimentação, simulação e descoberta.

Referencias

JOHNSON, Steven. A cultura da interface: como o computador transforma nossa maneira de criar e de comunicar. Trad. Maria L. Borges. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

LEMOS,  André. Cibercultura, tecnologia e vida social na cultura contemporânea. Porto Alegre: Sulina, 2002.

LEVY,  Pierre. Cibercultura. Trad. Carlos I. da Costa São Paulo:Ed.34, 1999.

SILVA, Marco. Internet na escola e inclusão. In: Integração das Tecnologias na Educação/Secretaria da Educação a Distância. Brasília:Ministério da Educação, Seed, 2005.

(*) Professor do Departamento de Educação da FEUC. Graduado em Pedagogia pela Unicastelo e Educação Física pela Faculdade de Educação Física de São Caetano do Sul, Mestre em Educação e Doutorando em Educação pela FE/UNICAMP.