São José do Rio Pardo, domingo, 5 de setembro de 2010
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Perdoem nossos erros e nossos pecados
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João Carlos Possendoro
 

 

 

      Perdoem nossa falha. Esta frase virou jargão popular, principalmente quando e usada pelos locutores da TV Globo.

      O todo Poderoso presidente da FIFA Joseph Blatter veio a público, dois dias depois dos jogos do México e da Inglaterra contra Argentina e Alemanha respectivamente, para pedir desculpas pelos erros de arbitragens. O pedido foi feito diretamente ao México e a Inglaterra, os prejudicados pelos erros nas duas partidas da Copa do Mundo.

     Recentemente, o Papa Bento XVI declarou publicamente ter pedido perdão a Deus pelos crimes de pedofilia envolvendo os padres e bispos da Igreja Católica.

     Teria Blatter, ao pedir desculpas, se inspirou da declaração do Papa ou teria sido mera coincidência?

     O futebol e a religião, cada um em seu mister, são assuntos do cotidiano das pessoas. Ocupam populações inteiras em várias partes do planeta. Do lado chamado capitalista basta lembrar: Brasil, Espanha, Portugal e Itália são países extremamente religiosos – com predominância do catolicismo – onde a prática do futebol é idolatrada. São seguimentos sociais que num primeiro momento parecem separados, porém, numa análise um pouco mais profunda tem muitas coisas em comum e até se misturam.

      Com a Copa do Mundo se afunilando, próxima de se conhecer seus finalistas, o que chama atenção são os erros de arbitragem que podem estar mudando a ordem das coisas. Arbitragem em jogos de futebol, mesmo antes da moderna tecnologia, já era um grande problema. O gol de Maradona, contra a Inglaterra na Copa de 1986, foi feito com a mão. Hoje, são 32 câmeras fazendo uma verdadeira varredura no gramado na hora do jogo. Gol, como o de Luis Fabiano (usou o braço para ajeitar a bola), jamais passaria despercebido aos olhos de tanta vigilância.

      No primeiro gol argentino, o jogo estava 0 x 0, Tevez (ex-Corinthians) marcou em claro impedimento. No outro jogo quando estava 2x1 em favor dos alemães, o jogador Lampard do time inglês marcou um gol, a bola ultrapassou a linha em 33 centímetros. O gol não foi validado. Estes dois erros grosseiros deram origem à atitude do presidente da FIFA. Consta que tanto México como Inglaterra, que voltaram pra casa mais cedo, ambos, aceitaram o pedido de desculpas. Foi também depois dos erros nos jogos que o presidente da FIFA declarou que o uso da moderna tecnologia, em partidas de futebol, será rediscutido em uma reunião em Candif, no País de Gales, em julho.

     O francês Lannoy de Brasil x Costa do Marfin; o italiano Rosetti de Argentina x México; o uruguaio Larrionda de Alemanha x Inglaterra, árbitros envolvidos nos jogos, também foram mandados mais cedo para casa. Eles caíram em desgraça junto ao Comitê de arbitragem da entidade máxima do futebol.

     Erros são comuns aos seres humanos. Mas existem erros e erros. Antes de Bento XVI, o Papa João Paulo II, que está prestes a ser canonizado, no ano de 2000 pediu perdão pelos pecados cometidos pelos Católicos Romanos. Apesar de não haverem sido citados nominalmente, o Papa se referia ao período das Cruzadas e principalmente da Inquisição.

      A Inquisição - Tribunal da Igreja Católica – surgiu no século XIII, e foi instituída para perseguir, julgar e punir os acusados de heresia. A Santa Inquisição foi criada pelo Papa Gregório IX (1148-124I). Sua essência: “Heresias são doutrina ou práticas contrárias ao que é definido como matéria de fé.” A Inquisição nada mais era do que uma forma violenta de repressão a aqueles que se opunham ao modelo de pregação religiosa vigente naquele longo período.

 Joana D’Arc (1412-1431) heroína francesa e o italiano Giordano Bruno (1548-1600), considerado o pai da filosofia moderna, talvez sejam os dois exemplos de maior notoriedade que foram vitimas da fogueira da Inquisição.

     Recentemente, outro grave problema, tratado com benevolência pela cúpula da Igreja Católica, veio à tona e balançou as suas estruturas. O assunto pedofilia (uma pratica muito antiga e nunca punida) envolvendo padres, bispos e religioso surgiu em forma de denúncia em vários países e acendeu a luz vermelha do Vaticano.

      Dizer que sexo é produto descartável, nunca foi e nunca será. No mundo globalizado de hoje onde qualquer deslize de pessoas publicas são noticiados de forma quase instantânea, o sexo é, com certeza, a maior pedra ou o maior pecado, no seio das religiões, principalmente da Igreja Católica.

     Os erros praticados pelos juízes das partidas da copa do mundo foram punidos com afastamento, provavelmente apenas temporário. Quanto aos erros dos padres e bispos que na maioria dos casos envolvem crianças, quais são as punições? - São erros de natureza muito mais graves, se comparados aos erros do futebol - Ao que se sabe, a punição vem em forma de transferência para outra igreja ou outra Diocese. 

     Em nome da moralidade, que anda tão escassa em vários seguimentos da sociedade, convenhamos: é muito pouco.